Avernum: Escape from the Pit | Review

Desenvolvimento

Os Avernum são jogos de RPG com bastante texto e exploração, e um combate tático baseado em AP/Action Points que te permitem realizar ações e andar na grid do mapa de modo semelhante aos primeiros dois Fallout.

Sua desenvolvedora é a Spiderweb Software, fundada em 1994 e conhecida por outros jogos demoware como a série Avadon, Geneforge e Nethergate. Como demoware, é possível baixar todos gratuitamente no site da desenvolvedora, e jogar até certa parte do mapa-múndi. Jogo-os há mais de 10 anos e sempre me vejo retornando a alguma coisa da Spiderweb.

A Spiderweb Software lançou em 1995 uma trilogia chamada Exile; depois, em 2000, ela refez a trilogia sob o nome Avernum (e aí adicionou mais três jogos, num total de 6 Avernum), e agora refez a primeira trilogia Avernum entre 2011 e 2018.

Tabela da Wikipedia com a linha de desenvolvimento dos jogos da Spiderweb Software.

Gameplay

Estes são jogos em visão isométrica, como o Pillars of Eternity, e você pode controlar até 4 personagens em uma party, escolhendo um retrato e um corpo pré-selecionado para cada um.

O jogo foca bastante em exploração, tendo um mapa muito amplo. Quase toda cidade dele tem pelo menos 2 personagens te passando alguma missão, que geralmente é sobre recuperar um artefato, explorar uma dungeon inimiga ou interagir com alguém em outra área.

A cada nível você recebe um ponto de atributo para distribuir (entre constituição, força, inteligência e destreza), dois de habilidade (para distribuir em árvores de perícia que aprimoram o manuseio de armas, resistência, uso de magias, etc) e, de vez em quando, pontos para colocar em perks que especializam ainda mais seu personagem (vender os itens por um preço mais caro aos lojistas, ou ter mais inteligência, etc).

O destaque fica para as habilidades tool use (lockpick), cave lore e arcane lore, que servem para destrancar portas, encontrar passagens secretas (há muitas no jogo) e interpretar livros que ensinam magias. Cave lore e arcane lore somam a quantidade de pontos da skill da party inteira na hora do cálculo, e não só do personagem com a maior pontuação, mas tool use eu ainda não entendi se também é compartilhado. Descobrindo algo novo eu volto nesta review e atualizo o parágrafo.

O jogo não possui limitações de classe, e a escolha de classe no início serve apenas como base para você refinar como quiser. Todos os personagens têm acesso às mesmas habilidades.

Há duas árvores de magia no jogo, mage e priest. As duas apresentam buffs, summons de criaturas que te ajudam em batalha e magias de dano, mas apenas a árvore de priest pode curar a vida ou ressuscitar seus personagens.

Como os personagens não tem limitações de classe, gosto de ensinar magias de cura para todos da party.

História

O mundo de Avernum é uma vasta extensão de galerias subterrâneas para onde são mandados aqueles que contrariam o Império, na superfície. Com o tempo, a galeria se expandiu em cidades humanas, territórios hostis com criaturas selvagens, tribos de goblins ou “sub-cavernas” com demônios, dragões e cultistas perigosíssimos.

Ao longo das missões você descobre mais sobre como a galeria subterrânea surgiu, com as primeiras expedições de exploradores, como ela foi tomando o papel de prisão para o Império e quais as forças estão ameaçando tanto Avernum quanto a superfície.

Quase todo personagem com nome único tem alguma história para contar, e nisso você também vai entrar em contato com pessoas fundando reinos novos para tentar mudar a dinâmica de governo do castelo de Avernum, ou grupos secretos de resistência cujo objetivo é se vingar do Império.

Destaque

É uma história que particularmente acho bem gostosa de acompanhar e cheia de humor – um exemplo são as descrições de algumas perks e as imagens delas.

Os gráficos não são modernos, mas têm o seu charme e personalidade. Tiro pontos deles, porém, por causa das animações pobrezinhas e de momentos em que as texturas do chão e paredes atrapalham na leiturabilidade dos nomes de personagens e outras informações escritas.

Áudio

Quase inexistente. Tirando a música da introdução, o resto do jogo se passa com sons ambientes. O áudio também dá feedback no combate; e ouvir o mesmo som sempre que alguém é atingido ou morre, ou o mesmo “gibberish” de pessoas falando no som de fundo das cidades pode ficar BEM enjoativo.

Problemas

Estou no nível 30 e prestes a fazer uma das missões finais do jogo – que envolvem matar alguém, e completei boa parte das outras missões. Depois desse tempo todo jogando, estou com 2 bugs: Minha junk bag não funciona (é onde você coloca os itens que quer vender, para não os confundir com itens importantes do seu inventário), e o menu com anotações sobre minha aventura, o journal, dá crash no jogo caso eu clique nele.

Já joguei os Avernum da primeira trilogia, antes do Escape from the Pit, e não lembro de ter muitos problemas com bugs.

Os personagens também podem andar com as setas do teclado ou o mouse, mas acho o movimento extremamente travado. Um exemplo é a hora em que você ganha acesso a um barco, e ele não parece ter waypoints para interpretar um caminho – ou seja, se tiver uma parede entre o barco e o local que você clicar, ele navega até a parede e para.

No combate, acredito que não haja maneira de saber e memorizar as resistências dos monstros a magias. Se não me engano não há monstros imunes a ataques físicos, mas depois de um longo tempo sem jogar eu não lembrava mais quem era resistente a fogo, gelo, ácido, etc. Então perco alguns turnos de batalha fazendo testes.

Backtracking

Esse aqui pode ou não ser problema, dependendo da sua relação com jogos de RPG com bastante exploração e que não pegam na sua mão para indicar o local da sua missão. Aumentando a sua magia capaz de destruir barreiras de energia ou melhorando o seu cave lore, mais áreas secretas e salas protegidas ficam ao seu alcance – ou seja, isso acaba te fazendo retornar a diversas cavernas e cidades para acessar estas áreas que antes eram bloqueadas. Os NPCs também indicam informações e locais novos para as missões – que não são atualizados na janela de quests, então sem anotar as coisas é possível que você esqueça os próximos passos da missão.

Concluindo

Recomendadíssimo para quem gosta de jogos no modelo dos dois primeiros Fallout, ou que é interessado em estratégia em turnos, exploração e lore.

Será necessário, porém, se acostumar com os controles e pormenores citados na review. Se você gostar do jogo, definitivamente pode ir atrás dos outros títulos da Spiderweb Software – eles têm basicamente as mesmas mecânicas e aparência.

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Avernum: Escape from the Pit

8.1

Jogabilidade

7.0/10

Arte Visual

8.0/10

História, lore e diálogos

9.5/10

Combate

8.0/10

Prós

  • Há uma junk bag onde você joga todos os itens que quer vender, sem misturá-los com o resto de itens importantes da party.
  • Ótima escrita. A única coisa que quebra a imersão é os personagens não atualizarem algumas falas em alguns momentos, como você derrotar um boss e parte da cidade ainda falar dele como se estivesse vivo ainda.
  • Inimigos com aparências e poderes variados, que pedem estratégias diferentes em combate (Mate os magos e priests primeiro. Sempre.)
  • Boa seleção de magias e skills para os seus personagens

Contras

  • Lembram da Junk bag? A minha bugou e não aceita mais item nenhum.
  • Poucos sons ambientes, e não há músicas durante o jogo, apesar da música de introdução ser bonitinha.
  • Não existem paredes invisíveis. Então objetos clicáveis e inimigos ficam ocultados por paredes e o jeitode interagir é usando os atalhos do teclado.
  • Os controles para PC podem ser bem chatos.

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